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AIE vê piora expressiva em perspectivas para o etanol

As perspectivas de médio prazo para a indústria de etanol no Brasil são mais sombrias do que indicavam as projeções do ano passado, avalia a Agência Internacional de Energia (AIE) em relatório sobre o mercado de petróleo. De acordo com a instituição, as usinas sucroalcooleiras brasileiras também colhem os reflexos negativos de uma temporada que gerou superávit global de açúcar pelo quinto ano consecutivo e, com isso, derrubou as cotações da commodity.

Com os baixos preços do açúcar, mais usinas ampliaram a produção de etanol – que, apesar dos pesares, vem oferecendo remunerações melhores. Mas, com o controle de preços da gasolina pelo governo, afirma a AIE, a competitividade do etanol nos postos “é minada involuntariamente e deixa produtores com pequena margem de lucro”. Para a agência, “não há sinal claro de que a situação no setor de cana vai melhorar no futuro próximo” no Brasil.

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Não há no horizonte a certeza de que o controle do governo sobre os preços da gasolina no mercado brasileiro será rapidamente suspenso após a eleição presidencial, apesar do déficit comercial da ordem de US$ 2 bilhões causado pela importação do combustível em 2013. A AIE ressalta que o aumento da capacidade de produção de etanol se estagnou no Brasil, que várias usinas foram fechadas e que “mais capacidade pode estar em risco”.

Nesse contexto, a agência prevê outros fechamentos de usinas de etanol no país, sobretudo as menores e mais antigas. Além disso, considera que a situação atual reduz a atratividade e torna improváveis investimento em novas plantas ou canaviais – tendo em vista, inclusive, o crescente aumento do preço das terras e da mão de obra no Brasil.

A AIE destaca que surgiram oportunidades de curto prazo para as exportações brasileiras do biocombustível, por causa do aumento do consumo e dos problemas logísticos nos EUA, provocados pelo frio e por nevascas, mas avalia que as perspectivas de embarques no médio prazo pioraram “substancialmente” desde o ano passado.

A AIE projeta que a produção de etanol no Brasil deverá crescer apenas para o equivalente a 10 mil barris por dia, para 482 mil barris, neste ano. Em 2018, o volume poderá chegar a 515 mil barris diários, impulsionado pelo aumento no percentual de mistura obrigatório de anidro na gasolina, que está em análise.

Para a instituição, assim como a revolução que cerca a produção de petróleo, também a indústria do biocombustível passa por um processo de transformação que deverá continuar na segunda metade da década. E a AIE observa que o segmento enfrenta obstáculos também nos EUA e na União Europeia.

No Brasil e nos EUA, os dois maiores produtores globais de etanol, analisa a agência, as políticas de apoio ao biocombustível eram baseadas na percepção do valor que seria gerado com a redução da dependência de petróleo e derivados importados. Só que ambos descobriram e desenvolveram amplas reservas de petróleo não convencional, e o etanol pode ter sido, em parte, uma “vítima” dessas descobertas.

Tanto no Brasil quanto nos EUA e na UE, as políticas de apoio à indústria de biocombustíveis parecem ter arrefecido, resultando na menor perspectiva de produção esperada para o resto da década.

Nos EUA, uma surpreendente contração na demanda por gasolina desde que os mandatos de uso de etanol foram introduzidos, expôs falhas na política para o biocombustível e gerou incertezas sobre a futura direção política no setor. Na UE, que já foi alvo de queixas sobre práticas desleais impostas contra o biocombustível estrangeiro, as inquietações agora são sobre a sustentabilidade do bicombustível convencional.

Assim, considera a AIE, no Brasil, nos EUA e na UE o anunciado progresso advindo do etanol de segunda geração, que reforçaria sua viabilidade econômica, “está se provando ser ilusório”. A agência aponta, em contrapartida, um crescente apoio ao biocombustível em outras economias emergentes e em desenvolvimento, sobretudo em importadores de petróleo que subsidiam pesadamente o consumo de combustíveis. Nessas fronteiras, o objetivo é reduzir as importações de petróleo e baixar a fatura dessas compras.

Segundo a agência, vários países da Ásia e da África adotaram recentemente novos planos de mistura de etanol com gasolina ou elevaram suas metas existentes para o uso de etanol ou biodiesel. Nesse cenário, a AIE projeta um aumento da produção global de combustíveis em 2,3 milhões de barris por dia em 2019 – 18% mais que o nível de 2013, mas ainda cerca de 50 mil barris abaixo da projeção feita no ano passado para 2018.

Fonte: Valor Econômico

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