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Inovação ajuda desempenho de ações em bolsa, diz estudo

Investir em inovação pode ajudar a melhorar o desempenho da ação de uma empresa em bolsa. Estudo feito pela Innoscience, consultoria em inovação e estratégia, mostra que companhias inovadoras tiveram, de 2009 a 2014, uma rentabilidade de 178,8%, ante valorização de 33,17% do Ibovespa.
O Índice de Inovação Innoscience foi desenvolvido para acompanhar o desempenho das empresas mais inovadoras do Brasil. É constituído por uma carteira de 20 empresas que foram classificadas como as mais inovadoras do país a partir de rankings divulgados pelas seguintes publicações de gestão de negócios: Forbes, Fast Co, Amanhã e Época.
As companhias que compõe atualmente o chamado “3i” são ALL, AmBev, Bematech, Braskem, Coelce, CPFL Energia, Fleury, Grendene, Karsten, BRF, Magazine Luiza, Marcopolo, Portobello, Positivo, Randon, Renner, Tecnisa, Vale, Weg e Whirpool. Para as empresas que possuem ações ordinárias e preferenciais, foi feita uma média entre os dois valores. A atualização da carteira é realizada anualmente e companhias que estão em mais de um ranking têm peso dobrado na composição da carteira.
O sócio-fundador da Innoscience, Felipe Ost Scherer, diz que a inovação auxilia na competitividade e na imagem de uma empresa. Segundo ele, há quatro grandes motivadores para o desenvolvimento da inovação em uma empresa. O primeiro deles é o consumidor, que deseja produtos novos, desenvolve novas necessidades e demanda essas novidades das empresas. Os desafios internos, como produtividade, redução de custos e qualidade, são outro fator. Cenários macroeconômicos desafiadores também impelem companhias a inovar. A concorrência é outro fator que impulsiona a inovação.
Apesar do desempenho desde 2009, o ano de 2014 foi o primeiro no qual o índice de empresas inovadoras teve queda maior que a do Ibovespa. A carteira teve desvalorização de 15,49%, ante queda de 2,91% do principal indicador da bolsa. Os melhores desempenhos no ano foram dos papéis da BRF (29,9%), Lojas Renner (25,4%) e Bematech (3,0%). Os destaques negativos ficaram com Randon (-63,9%), Tecnisa (-57,0%) e Karsten (-55,6%).
O sócio da Proxycon e presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec) Nacional, Reginaldo Alexandre, diz que a inovação não é fator determinante para o desempenho das ações e dificilmente tem resultado de curto prazo. Mas ele afirma que, no processo de avaliação sistemática de longo prazo de ações, os analistas incluem a inovação nos cálculos e ela traz sim resultado para as empresas. “A inovação, não só de produtos, mas de processos, é capturada nas projeções dos analistas no fluxo de caixa futuro das companhias”, diz.
Segundo ele, a inovação reduz os riscos associados aos negócios e uma empresa reconhecidamente inovadora pode ser vista como defensiva no mercado financeiro, já que tende a oferecer proteção em momentos difíceis.
No caso de várias empresas da lista da Innoscience, fatores alheios à inovação pressionaram os negócios em 2014. Randon, por exemplo, teve o preço-alvo das ações rebaixado pelo Credit Suisse em novembro, com expectativa de um 2015 fraco para a indústria de veículos pesados.
A Tecnisa é outro caso de empresa cujo setor não está passando pelo melhor momento. A expectativa é de que o mercado de incorporação de imóveis brasileiro encolha em 2015, comparado com os resultados do ano passado. Já no caso da Karsten, o setor têxtil no Sul do país concedeu, no fim de 2014, férias mais longas aos funcionários, para reequilibrar estoques.
Fonte: Valor Econômico | Por Aline Cury Zampieri

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