[Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ] [Escola de Química - UFRJ]

Núcleo de Estudos Industriais e Tecnológicos - UFRJ

centro de excelência na área de Gestão da Inovação, Inteligência Competitiva,
Prospecção Tecnológica e Monitoramento Tecnológico e Mercadológico

Somos bons de inovação?

Temos a impressão de que o Brasil inova pouco. Como medir nosso avanço? Um bom indicador poderia ser resumido em um número, se ele tiver poder de arraste para puxar consigo conceitos e desafios. O IBGE apura uma “taxa de inovação”, conforme procedimentos internacionais, que mede a porcentagem das empresas que declaram ter feito pelo menos uma inovação naquele ano.

O Brasil parece estar bem, pois nosso número é 33%. Entretanto, esse índice não é bom. Ele não se presta a comparações internacionais, pois as respostas em diferentes países têm compreensões diferentes sobre o que é uma inovação.

Outra medição é a porcentagem do PIB que é investida em pesquisa e desenvolvimento. O Brasil investe apenas 1,3%, sendo metade investimento do governo e outra metade das empresas. Vários programas de fomento à pesquisa empresarial foram criados pelos governos federal e estadual, para incentivar o aumento do investimento privado em inovação: BNDES-Funtec, Embrapii e Fapesp-PITE.

Em São Paulo o investimento das empresas é maior, e alcançamos 1,6% do PIB, o que nos coloca em patamar semelhante à Espanha, por exemplo. No entanto, os espanhóis depositam mais patentes e exportam mais que o Brasil.

Precisamos então de um critério alternativo. Escolher um indicador e trabalhar para melhorá-lo exigirá que sejamos melhores planejadores do que temos sido. Câmbio, impostos, gastos públicos, inflação e juros são índices relevantes no curto prazo, mas o problema da competitividade é estrutural, e não apenas conjuntural.

Qual seria esse índice? Qual é o critério para escolher um indicador? Ele deve permitir comparações com outros países. Com o passado e com nossos competidores, num ranking global. Saber em que posição está o Brasil em relação ao planeta. Gostamos de ser a oitava maior economia do mundo.

Existem rankings globais de competitividade. O World Economic Forum, sediado em Davos, estima a competitividade dos países com base em mais de 100 parâmetros, reunidos em 12 conjuntos, um deles a Inovação. Em 2014 o ranking de competitividade colocou o Brasil em 57º lugar entre 144 países. Mas no item inovação, que aqui nos interessa, estamos em 62º lugar.

Nossa nota neste quesito prejudicou o ranking de competitividade do Brasil. Curioso é que o Global Innovation Index, baseado numa nota que é a composição de 81 parâmetros, legou-nos uma colocação parecida: O país está em 61º lugar entre 143 países. Parece que nosso lugar é mais ou menos esse. Uma reflexão sobre como melhorar nossas 81 notas deveria ajudar a estabelecer os programas, priorizar investimentos.

É importante objetivar a discussão sobre os obstáculos culturais que nos atravancam. Não podemos continuar tendo apenas 0,3% das patentes do mundo, se nossa economia tem 3% do PIB do planeta. Ou apenas 1,2% das exportações mundiais.

Toda nova gestão de governo tem o dever de construir um Plano Plurianual no primeiro ano de mandato. Um dos objetivos estratégicos do governo estadual para 2016-2019 antevê uma economia paulista competitiva, voltada para inovação tecnológica, incremento da produtividade e geração de empregos de boa qualidade. A inovação tinha mesmo que estar lá.

A primeira tarefa é escolher um indicador de impacto, pelo qual acompanharemos nossa evolução nos próximos anos. Bem mais difícil será organizar programas que criem condições favoráveis para alcançarmos os desejados objetivos estratégicos. Temos muito trabalho pela frente.

FERNANDO JOSÉ GOMES LANDGRAF, 60, diretor presidente do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo

Fonte: ANPEI

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